Publicado por: cjebisma | Dezembro 17, 2009

Editorial



O Natal… O Natal é uma época desejada pela maioria de nós. É uma época de amor, família, fraternidade, caridade… Será?

Cada vez mais vivemos isolados na nossa concha privada e esquecemo-nos que existem pessoas a necessitar de nós num lugar qualquer, às vezes mesmo ao nosso lado, e não fazemos caso, ignoramos, porque é mais fácil não olhar. Pois bem, parece que no Natal toda a gente deixa de ter esse medo de olhar! Parece que no Natal todos temos de ajudar alguém! Parece que só no Natal existem pessoas necessitadas, à espera de um sorriso nosso… De repente lembramo-nos disso porque “fica bem” e “é Natal”, como se fosse obrigatório sermos “bonzinhos” no Natal, uns para agradar o senhor de barbas brancas, outros só mesmo pelas aparências.

E depois vem o “melhor” do Natal. A verdadeira razão pela qual é uma época tão querida por todos, especialmente pelos mais novos: as prendas, e com elas aquela febre de querer, querer e querer, o auge anual do consumismo. O próprio Pai Natal, que todos nós adoramos, ou adorámos, é fruto desse consumismo, fruto dessa ganância e egoísmo do ser humano…

Será que o espírito do Natal não nos pode também ajudar a pensar? Os nossos avós viviam o Natal em festa, tal como nós, mas não à espera de receber este ou aquele presente. Eles viviam o Natal, não à espera de receber este ou aquele presente, mas porque significava uma época de fé e, para eles sim, o Natal era uma época de amor, família, fraternidade, caridade. Para eles sim, o Natal era Natal, uma época cheia de valores importantes que a sociedade de hoje tem vindo a esquecer. Para eles sim, tudo era mágico… Não faziam birras quando não recebiam o que tinham pedido ao Pai Natal porque, em primeiro lugar, nem existia Pai Natal mas sim o Menino Jesus; e depois, pediam pouco ou nada pelo que tudo o que recebiam era bem-vindo.

Acho sinceramente que eram mais felizes enquanto crianças, davam mais valor àquilo que possuíam e não passavam o tempo a pedir outro brinquedo novo, mesmo que o que tinham estivesse todo partido e gasto.

É pena que o mundo tenha transformado uma época tão bela num pólo de consumismo. Até as televisões fazem das compras natalícias notícia principal! Que vergonha… Com tantas pessoas a sofrer sem ter o que comer, nós preocupamo-nos com o que vamos oferecer a esta ou àquela pessoa, porque, mais uma vez, “fica feio” não oferecer nada.

Precisamos de mudar, e essa mudança está nas nossas mãos.

Feliz Natal!

Ana Sanona


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