Publicado por: cjebisma | Fevereiro 26, 2010

Editorial

    Quando se fala em “discriminação” temos sempre tendência a pensar em racismo. No entanto, a discriminação tem muitas formas e por vezes nem sequer nos apercebermos delas, pelo que é muito mais abrangente do que atitudes racistas e a prova disso mesmo é que, apesar de negarmos, todos nós já discriminámos alguém, alguma vez, nalgum lugar, por algum motivo (ou sem nenhum), e isso não significa que sejamos racistas.

     Não é verdade? Alguém dirá que não, mas pensemos um pouco. Quem nunca deixou de brincar com um colega por este, num infeliz momento, ter o nariz sujo? Ou por não ter tantos brinquedos? Ou por usar a roupa dos irmãos mais velhos? Ou por ser gordo? Ou por ser mais tímido? Ou por não correr tão depressa? E a lista bem podia continuar… Isto é discriminação, talvez inocente, mas é.

     No seio escolar, estamos constantemente a discriminar e a ser alvo de discriminação. Até na nossa EBISMA, apesar de situada num meio pequeno, isso é bastante visível pelos diferentes grupos que pouco se relacionam: há os “fifis”, os “labregos”, os “fumadores”, os “cromos”, etc. É óbvio, e normal, que formemos amizades com pessoas que partilhem os mesmos gostos e hábitos que nós, mas isso não deve pôr em causa o nosso relacionamento com pessoas um pouco diferentes. Temos que manter a mente aberta e não devemos excluir uma pessoa partindo do simples facto de que é fumador, ou não usa roupa de marca. Não devemos ser preconceituosos!

     Na minha opinião, aceitar o diferente/estranho parte de uma boa educação. Por exemplo, uma criança com cinco anos que aponte o dedo para um indivíduo portador de deficiência motora é perfeitamente normal, pois é algo diferente daquilo que a criança está habituada. No entanto, é fundamental que os pais ajam com maturidade e eduquem a criança de maneira a que esta, posteriormente, não estranhe perante uma situação semelhante. Evita-se, assim, a criação de hábitos discriminatórios e, consequentemente, atitudes de aversão ao diferente em idades menos próprias.

     Isto seria perfeito, se fosse tão fácil como dizê-lo. O que acontece muitas vezes é que não há um adulto responsável por perto para conceder essa educação e a criança faz juízos de valor errados, tornando-se frequentemente cruel para com o diferente.

     E quem não sabe o quanto dói ser deixado de parte ou gozado por ser um pouco diferente? É muito fácil discriminar e esquecer, ser discriminado nem tanto.

Ana Sanona


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